2009-07-11

O Idílio Suave - Guilherme de Almeida (na data em que se completa 40 anos sobre a sua morte)

Chegas. Vens tão ligeira
e és tão ansiosamente esperada, que enfim,
nem te sentindo o passo e já te tendo inteira,
completamente em mim,
quando, toda Watteau, silenciosa, apareces,
é como se não viesses.

Vens... E ficas tão perto
de mim, e tão diluída em minha solidão,
que eu me sinto sozinho e acho imenso e deserto
e vazio o salão...
E, sem te ouvir nem ver, arde-me em febre a face,
como se eu te esperasse!

Partes. Mas é tão pouco
o que de ti se vai que ainda te vejo o arfar
do seio, e o teu cabelo, e o teu vestido louco,
e a carícia do olhar,
e a tua boca em flor a dizer-me doidices,
como se não partisses!


in Poesia Brasileira do Século XX Dos Modernistas à Actualidade; Edições Antígona

Guilherme de Andrade e Almeida (n. em Campinas, São Paulo a 24 de Jul de 1890; m. em São Paulo a 11 de Jul 1969)

Ler do mesmo autor:
Fico deixas-me velho
Indiferença
Esssa Que Hei-de Amar

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On this day in History - Jul 11

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2009-07-10

Responde Tu - Nicolás Guillén

Tú, que partiste de Cuba,
responde tú,
¿dónde hallarás verde y verde,
azul y azul,
palma y palma bajo el cielo?
Responde tú.

Tú, que tu lengua olvidaste,
responde tú,
y en lengua extraña masticas
el güel y el yu,
¿cómo vivir puedes mudo?
Responde tú.

Tú, que dejaste la tierra,
responde tú,
dónde tu padre reposa
bajo una cruz,
¿dónde dejarás tus huesos?
Responde tú.

Ah desdichado, responde,
responde tú,
¿dónde hallarás verde y verde,
azul y azul,
palma y palma bajo el cielo?
Responde tú.

Ouçamos agora este poema na voz de Ana Belen


Tú, que partiste de Cuba,
responde tu,
- onde acharás verde e verde,
azul e azul,
palmeiras e palmeiras sob o céu ?
Responde tu.

Tu, que tua língua esqueceste,
responde tu,
e em língua estrangeira mastigas o
well e o you,
como podes viver mudo?
Responde tu.

Tu, que deixaste a terra,
responde tu,
onde teu pai repousa
sob uma cruz,
- onde deixarás teus ossos ?
Responde tu.

Ah infeliz, responde,
responde tu,
-onde acharás verde e verde,
azul e azul,
palmeiras e palmeiras sob o céu ?
Responde tu.

Trad. de José Bento

in Rosa do Mundo, 2001 Poemas para o Futuro

Nicolás Cristóbal Guillén Batista (nasceu em Camaguey, Cuba a 10 de Julho de 1902 ; m. em Havana a 16 Jul 1989)

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Happy birthday - Jessica Simpson

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On this day in History - Jul 10

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2009-07-09

Soneto da Véspera - Vinicius de Moraes (dezanove anos passados sobre o seu desaparecimento)

Quando chegares e eu te vir chorando
De tanto te esperar, que te direi?
E da angústia de amar-te, te esperando
Reencontrada, como te amarei?

Que beijo teu de lágrimas terei
Para esquecer o que vivi lembrando
E que farei da antiga mágoa quando
Não puder te dizer por que chorei?

Como ocultar a sombra em mim suspensa
Pelo martírio da memória imensa
Que a distância criou – fria de vida

Imagem tua que eu compus serena
Atenta ao meu apelo e à minha pena
E que quisera nunca mais perdida...

Extraído de Vinicius de Moraes, Antologia Poética, Publicações Dom Quixote

Vinicius de Moraes (n. Rio de Janeiro a 19 Out 1913; m. Rio de Janeiro, 9 Jul 1980)

Ler neste blog do /sobre o autor:
Saudades do Brasil em Portugal
Soneto do Amor Total
Poética I
Mar
Poema de Todas as Mulheres
Soneto de Fidelidade
Soneto de Separação
Pela luz dos olhos teus
Dialectica
Aquarela
Amigos

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Happy birthday - Jessica van der Steen

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